sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A arte de educar

Ele entra no chuveiro e inicia o processo. Fecha o chuveiro. Lava a cabeça. Abre o chuveiro. Tira o shampoo. Termina de se ensaboar. Sai do banho. Se seca. Vai para o quarto. Passa creme (forçado). Põe a cueca preta. E veste o shorts vermelho com detalhes verdes. Por último, a camiseta vermelha com a bandeira de Portugal. Pega o gel. Faz um moicano. Pega o meião preto com detalhes brancos. Busca a chuteira. Leva a bola.

Ao chegarmos, notamos que o auditório encontra-se cheio. Por conta do nosso atraso, ficamos de pé em uma das paredes da lateral. Fazemos piadas e rimos constantemente. Depois de um longo tempo, quando as piadas parecem ter acabado, quatro pessoas abençoadas resolvem ir embora após a apresentação de uma das turmas. Nos sentindo sortudos de achar o ouro, finalmente sentamos nas cadeiras confortáveis de cor vinho. Minha mãe oferece meus serviços de fotógrafa à uma mãe que muito agradeçida, aceita. Vou para perto do palco e ajoelho, começo a tirar as fotos em uma câmera que por não ser a minha, estranho. Ao final da apresentação, a mulher me agradeçe e diz que as fotos ficaram "muito boas".

Finalmente, é a apresentação dele. Vou novamente para a parte da frente do palco. A música começa. Primeiro entra as meninas (inclusive a sua paquerinha, tiro umas fotos dela pra depois poder irritá-lo). Ele entra com os outros meninos, que também estão uniformizados. Trás a bola consigo. A coreografia segue conforme a música. Até que chega o momento dele, do seu solo. A roda de meninas se abre e deixa o centro livre onde ele se encontra. E lá está ele.. sozinho com a bola no pé. Ele a coloca entre as pernas e se prepara para fazer o movimento, respira fundo e está extremamente concentrado (como sempre). Eu entendo o que será feito e fico nervosa por ele, prendo a respiração. Tiro um foto rápida e páro para acompanhar. Ele se apronta e conforme o ensaiado, faz uma carretilha perfeita! (movimento no futebol quando o jogador prende a bola entre os pés e a lança para cima pelas costas). Na platéia se escuta mormurinhos elogiando sua atuação. Ele se destaca dos demais...

A apresentação acaba e todos batem palmas. Me sinto orgulhosa por ele ser quem é. Ele sempre me deixa orgulhosa. Ao término da cerimônia, recebo um beijo seu.



A noite de hoje, só confirmou uma suspeita que eu já tinha. Uma suspeita que há 6 meses me ronda. O que antes me fora "imposto", hoje me é opicional... Eu quero ser Professora! Por mais que eu tenha nascido nesse meio (mãe professora, irmã professora, tias professoras... até a sogra é professora) eu lutei quanto pude para não sê-lo, mas me dei conta de que a arte de ensinar é única. E que não há orgulho maior que preencha meu peito do que formar, educar e lidar com pessoas.

*Que fique claro que ser atriz ainda é meu sonho objetivo da vida. Mas ser educadora é um dos recursos presentes nesse pacote artístico.

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2 comentários:

Pat Lávisqui disse...

Que fofo, hahaha!

Fotos "muito boas", aí já vira fotógrafa tb...porque te falo: tb está incluso nesse pacote aí, kkkkk.

Irmã coruja do caralho.

Carol Portella disse...

sério que super pensei em fazer um curso de fotografia, pago mo pau... qlqr dia vc me da umas aulas grátis! \o/


piooor... pirralho cretino! hahaha

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