quarta-feira, 9 de março de 2011

Better than gold

Não eram ainda nem meio dia, e o sol (de novo) não havia sido visto. O vento soprava tão forte, quanto era possível. A cor cinza e escura no céu tornavam o cenário ainda mais medonho. Era um dia qualquer, não digo comum porque simplesmente não há motivo para sê-lo, um dia qualquer onde o abandono era a unica coisa que preenchia a casa... alias, deixei claro que isso se trata de uma casa abandonada? bom, senão, agora está claro! e que cada um a construa no seu imaginário e de acordo com sua concepção.

As cortinas rasgadas e sujas, tinham em sua estampa algumas flores desenhadas, vestígios de um dia onde flores tiveram significado. A madeira da porta, estava úmida e podre. No chão, restos de comida aonde nem os ratos ousaram chegar perto. Na pia da cozinha, pilhas e pilhas de louça esquecidas assim como uma promessa não cumprida. É claro que se tratando de uma casa abandonada, não havia moradores...

Algumas pessoas da cidade haviam entrado na casa e tentaram organizá-la, mas ela simplesmente estava, digamos "machucada" demais para ser curada. Quando a última pessoa que tentara arrumar a casa saiu da mesma, levou consigo a esperança de uma solução. Ao sair, encostou a porta e desceu as escadas da frente, desiludida.


Um andarilho. Era assim que o chamavam... Andarilho. Na verdade, o que ninguém sabia era que ele era marceneiro, mas preferia que a informação continuasse oculta, "andarilho" apenas soava melhor. Foi a primeira vez em tempos, onde a ameaça de um sol se fez real. Onde um vento gostoso soprava, forte o bastante para acariciar os cabelos. Era um dia, apenas. Ele educadamente, subiu as escadas e bateu na porta esperando. O silêncio fora a resposta. Entrou, olhou a casa com um sorriso no canto da boca, como se não se importasse com o trabalho que teria dali pra frente. Satisfação.

(...)
A história termina com a casa ainda suja e ainda bagunça, contudo não mais abandonada.

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